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PAROLE

Cuidado ao encontrar o “EX”!

Por Edgar Talevi de Oliveira

 

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   Quem nunca deparou com um “ex” em algum momento da vida?! Isso é mais comum do que se imagina. Mas, cuidado! Todo “ex” traz consequências, nem sempre agradáveis! Explico: várias regras da Língua Portuguesa costumam ser esquecidas por nós; os prefixos que o digam! Portanto, ao falarmos do prefixo “ex”, a norma vigente estabelece que, quando o primeiro elemento tiver sentido de anterioridade ou cessação, necessita de hífen: ex-almirante; ex-diretor; ex-rei e por aí vai. Simples, não é mesmo?
  Porém, advirto: muita atenção com o uso indiscriminado do prefixo “ex”, pois poderá causar contenda em alguns casos especiais, quais sejam estes: ex-presidente; ex-capitão; ex-juiz dentre outros. Concordam?
Tudo isso está presente no conjunto de normas que vigoram a partir do acordo ortográfico da Língua

 

Portuguesa, assinado em Lisboa, aos 16 de dezembro de 1990, pelos representantes dos países lusófonos. Em vigor desde 2009, o acordo trouxe novas regras que visam a estabelecer uma economia linguística, simplificação e uniformização ortográfica entre todos os países que adotam nosso idioma.   
Vamos por vez: ortografia, segundo nos explica o imortal da Academia Brasileira de Letras e filólogo, Evanildo Bechara: “é um conjunto de normas convencionais pelas quais se representam na escrita os sons da fala”. Simples assim!
   O hífen – bola da vez desta crônica – está presente nas bases XV, XVI e XVII do acordo. Entretanto, não nos preocupemos em decorar regras. Cada passo nos dará um ensinamento novo.
Vejamos: alguns equívocos podem ser evitados com o uso adequado de um prefixo muito usado por todos nós - “vice”. Escrevamos: vice-diretor; vice-presidente; vice-reitor e assim por diante. Ademais, ouso pensar que um prefixo em particular pode causar estranheza por ser incomum, a saber, “circum”. Para ele, a norma estabelece as mesmas diretrizes, ou seja, com uso do hífen: circum-escolar; circum-hospitalar; circum-navegação.
   Lembremos, de igual modo, dos famosos “pré” e “pós”, pois sempre deverão ser usados com hífen: pré-vestibular; pré-datado; pós-graduação; pós-tônico. Observemos alguns outros causadores de discórdia em nossos textos: “além”; “bem”
e “recém”. Escrevamos sempre lançando mão do hífen: além-mar; além-fronteira; além-Atlântico; bem-aventurado; bem-estar; bem-humorado; recém-casado; recém-eleito; recém-nascido.
   Outras regras são mais fáceis pelo uso constante no dia a dia (que, aliás, não tem hífen!). São elas: quando o primeiro elemento termina por vogal igual à que inicia o segundo elemento, aplica-se – sem dó – o hífen: anti-inflamatório; anti-infeccioso.
   A segunda regra estabelece que, quando o primeiro elemento terminar por vogal diferente daquela que inicia o segundo elemento, escreve-se junto, sem hífen (finalmente o hífen desapareceu!): autoajuda; extraescolar; autoestrada; antiaéreo.
   Sejamos gratos pelas bem-aventuranças de nossas viagens pelo universo da gramática, em um verdadeiro sentimento de bem-estar, pois a riqueza de nossa Língua está em seus usuários. Nós, portanto, construímos o idioma em cada frase dita ou escrita que, a posteriori, formará o léxico oficial da Língua Portuguesa.
Não poderia faltar nesta crônica uma derradeira frase, em que invocamos o pensamento de Charles Pierre Baudelaire: “Manejar sabiamente uma língua é praticar uma espécie de feitiçaria evocatória”.
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Edgar Talevi de Oliveira, licenciado em Letras pela UEPG; pós-graduado em Linguística,  Neuropedagogia e Educação Especial; bacharel em Teologia pela UNINTER; mestre em Teologia pelo SETEPE; membro da Academia Ponta-Grossense de Letras e Artes; autor do livro Domine a Língua - o novo acordo ortográfico de um jeito simples, em parceria com Pablo Alex Laroca Gomes; autor do livro Sintaxe à Vontade - crônicas sobre a Língua Portuguesa; professor de Língua Portuguesa do Quadro Próprio do Magistério do Estado do Paraná; revisor profissional de textos acadêmicos; e articulista de diversos jornais municipais e estaduais.